Depoimento aponta falhas de segurança em barragem rompida em Brumadinho no 6º dia das audiências

O 6º dia das audiências de julgamento do processo criminal relacionado ao rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, teve, na sexta-feira, 13 de março, a engenheira civil Maria Regina Moretti ouvida no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte.

A profissional prestou depoimento por aproximadamente oito horas, respondendo a questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) e de advogados envolvidos no caso por videoconferência.

Moretti atuava como consultora da empresa Potamos, que formou um consórcio com a companhia alemã Tüv Süd para realizar avaliações de risco em 23 barragens da Vale. Entre as estruturas analisadas estava a barragem localizada na Mina do Córrego do Feijão.

Durante a audiência, a engenheira reafirmou declarações já apresentadas anteriormente, inclusive em depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), responsável por investigar as circunstâncias da tragédia.

Segundo ela, estudos realizados por sua equipe indicaram que a barragem B1 da Vale não atendia aos padrões internacionais de segurança no que se refere ao risco de liquefação — tipo de ruptura considerado altamente destrutivo e que foi o ocorrido no desastre.

Os estudos sobre a possibilidade de ruptura faziam parte de uma análise mais ampla destinada a calcular o risco financeiro associado ao eventual colapso de barragens, com o objetivo de estimar os prejuízos econômicos que poderiam ocorrer em caso de acidente. Moretti destacou que sua participação se restringiu à elaboração dos estudos determinísticos sobre o risco de rompimento.

Ainda durante o depoimento, a engenheira afirmou que a Potamos deixou de atuar nos trabalhos para a Vale depois de não concordar, em 2017, em atestar a segurança da barragem. Ela também relatou que, após os estudos apontarem risco de ruptura, não voltou mais ao complexo minerário em Brumadinho.

Como a audiência se estendeu ao longo de toda a tarde e avançou pela noite de sexta-feira, o depoimento foi interrompido por volta das 21h e deverá ser retomado na manhã do dia 23 de março.

A fase de instrução do processo teve início em fevereiro no TRF-6 e prevê a realização de 76 audiências até maio de 2027, período destinado à coleta de depoimentos, apresentação de dados e produção de provas.

No processo criminal, a Vale, a Tüv Süd e 15 funcionários das duas empresas que atuavam na época do rompimento são réus pelos crimes de homicídio qualificado e danos ambientais.

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