Justiça Federal de MG inicia audiências relacionadas à tragédia de Brumadinho

A Justiça Federal em Minas Gerais começa, na próxima segunda-feira, 23 de fevereiro, a realizar as audiências de instrução e julgamento sobre o rompimento da barragem em Brumadinho.

O processo envolve 17 réus e investiga crimes ambientais e os 272 homicídios relacionados ao desastre. Durante as audiências, serão ouvidos réus e testemunhas.

Entre os acusados estão a Vale, a empresa TÜV SÜD e 16 ex-executivos ligados às companhias, que respondem por crimes ambientais e homicídio. Ao todo, estão programadas 76 audiências, que devem ocorrer entre 23 de fevereiro deste ano e maio de 2027, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).

Essa etapa do processo tem como objetivo a produção de provas e a oitiva das partes, buscando esclarecer possíveis falhas nos sistemas de segurança e eventuais condutas negligentes relacionadas ao rompimento da barragem da mina Córrego de Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019.

O colapso liberou aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, provocando ao menos 272 mortes e causando graves impactos ambientais e socioeconômicos, com mais de 20 municípios atingidos diretamente.

A juíza federal Fernanda Martinez Silva Schorr, coordenadora do Núcleo de Justiça Restaurativa do TRF-6, ressaltou que diferentes setores do tribunal atuam de forma integrada para garantir a condução adequada das audiências, considerando o impacto do desastre e a longa espera das famílias por uma resposta judicial.

Segundo ela, o processo tramita há anos, tendo começado na Justiça estadual antes de ser transferido para a esfera federal. A magistrada destacou ainda que as famílias das vítimas aguardam uma definição e enfrentam forte carga emocional, o que exige atenção especial no acolhimento durante o andamento das audiências.

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