Processo contra a TÜV Süd discute responsabilidade da certificadora alemã no rompimento da barragem e reúne mais de 1.400 familiares de vítima
O julgamento na Alemanha relacionado ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho teve novo avanço após uma rodada de audiências realizada em Munique. O caso envolve a TÜV Süd, empresa alemã que atuou na certificação da estrutura antes da tragédia de 25 de janeiro de 2019.
Segundo informações publicadas pela Deutsche Welle e reproduzidas pelo UOL, as audiências discutiram como a legislação ambiental brasileira deve ser considerada no processo que tramita na Justiça alemã. A ação busca responsabilizar a TÜV Süd por suposta responsabilidade parcial no rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.
A ação reúne mais de 1.400 familiares de vítimas e pede indenização de aproximadamente 600 milhões de euros, valor estimado em cerca de R$ 3,5 bilhões. O processo tramita há anos no Tribunal de Munique e é considerado uma das principais frentes internacionais de responsabilização ligadas à tragédia.
O rompimento da barragem em Brumadinho deixou 270 mortos e provocou impactos humanos, sociais, ambientais e econômicos que ainda marcam a cidade e a região do Paraopeba. Por isso, mesmo não sendo uma pauta nova do dia, o avanço das audiências mantém forte relevância regional.
Na prática, a nova etapa não representa uma decisão final, mas indica que o processo segue em andamento na Alemanha. O debate sobre a aplicação da legislação brasileira é considerado importante porque pode influenciar a forma como o tribunal alemão avaliará responsabilidades, danos e possíveis indenizações.

Além da ação civil, familiares também apresentaram, em 2019, uma queixa-crime ao Ministério Público de Munique contra representantes ligados à TÜV Süd. Organizações que acompanham o caso afirmam que a apuração internacional busca identificar responsabilidades sem retirar da Vale o papel central no desastre ocorrido em Brumadinho.
Para Brumadinho, Mário Campos e demais cidades atingidas direta ou indiretamente pela tragédia, o julgamento na Alemanha mantém viva a discussão sobre reparação, responsabilização e justiça. Sete anos depois do rompimento, familiares e atingidos ainda cobram respostas definitivas.
A TÜV Süd é apontada no processo por sua atuação na certificação da barragem, mas a responsabilidade da empresa ainda está sob análise da Justiça alemã. Até uma decisão final, o caso deve ser tratado como processo em andamento.



