Prefeito de Brumadinho afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a postura da Justiça alemã abre “uma luz no fim do túnel” no caso contra a TÜV SÜD
A audiência contra a TÜV SÜD AG, realizada em Munique, na Alemanha, trouxe uma nova dimensão à cobrança por justiça no caso Brumadinho. Em entrevista à Folha de S.Paulo, durante a agenda internacional, o prefeito Gabriel Parreiras afirmou que ver o caso sendo tratado pela Justiça alemã “com a seriedade que merece” representa uma esperança para o município e para as cidades atingidas pela tragédia da Vale.
A declaração foi dada no contexto das audiências da ação civil que tramita na Alemanha contra a TÜV SÜD AG, empresa alemã ligada à certificação da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão antes do rompimento de 25 de janeiro de 2019.
“Era um momento que a gente esperava ansiosamente desde o crime da Vale, que é essa luta por justiça”, afirmou Gabriel Parreiras, em entrevista à Folha de S.Paulo, na Alemanha.
A Folha informou que a ação civil na Alemanha pede uma indenização de cerca de 600 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões, pelo rompimento da barragem em janeiro de 2019. O processo envolve a TÜV SÜD, empresa que prestou serviços relacionados à certificação de segurança da estrutura.
“Uma luz no fim do túnel”

Na entrevista, Gabriel afirmou que acompanhar a audiência e ouvir o especialista falar sobre o caso trouxe expectativa positiva para Brumadinho.
“Ver a Justiça alemã tratando o caso com a seriedade que merece traz uma esperança, uma luz no fim do túnel”, declarou o prefeito.
Segundo o prefeito, a presença do especialista na audiência fortaleceu a percepção de que a atuação da TÜV SÜD precisa ser analisada com profundidade. A fala ocorre em um momento em que a Corte alemã discute pontos jurídicos relacionados à legislação brasileira e à eventual responsabilidade civil da certificadora.
A Agência Brasil havia informado que o Tribunal Distrital de Munique marcou três audiências entre os dias 26 e 28 de maio de 2026 no processo movido por vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. A ação busca responsabilizar a TÜV SÜD AG, cuja sede fica em Munique.
Prefeito critica postura da TÜV SÜD
Gabriel Parreiras também fez críticas duras à postura da TÜV SÜD durante a tramitação do caso. Em sua fala à Folha de S.Paulo, o prefeito afirmou que se revolta ao ver representantes da empresa negando responsabilidade.
“O que mais me revolta é que, passados sete anos, a TÜV SÜD ainda quer insistir no erro”, disse Gabriel.
Em outro trecho, o prefeito afirmou que, na visão dele, o laudo de estabilidade foi decisivo para a permanência da barragem em operação
“Sem o laudo de estabilidade dela, a barragem não estaria lá”, declarou.
A declaração sintetiza uma das principais teses discutidas por vítimas, familiares e municípios atingidos: a de que a certificação da estabilidade da estrutura teve papel relevante na cadeia de decisões que antecedeu o rompimento.
A TÜV SÜD nega responsabilidade pelo rompimento. A Agência Brasil registrou que a empresa sustenta que as declarações de estabilidade teriam sido emitidas em conformidade com a legislação e os padrões técnicos aplicáveis à época.
A tensão de olhar “cara a cara” os representantes da empresa
A fala do prefeito também revelou o peso emocional da presença da comitiva de Brumadinho na Alemanha. Gabriel afirmou que estar diante dos representantes da TÜV SÜD foi um momento difícil para quem acompanha de perto os efeitos da tragédia.
“Olhar nos olhos dos representantes da TÜV SÜD e ver eles negando essa causalidade, negando a culpa, é algo que revolta”, afirmou.
O prefeito disse ainda acreditar que muitos dos representantes da empresa não conhecem Brumadinho nem as vítimas da tragédia. A declaração reforça o tom de cobrança levado pela comitiva municipal à Alemanha: mais do que uma disputa jurídica, o processo é visto por Brumadinho como uma luta por memória, reparação e responsabilização.
Caso voltou ao centro do debate internacional
A ação contra a TÜV SÜD tramita na Alemanha porque a matriz da empresa está sediada em Munique. O processo discute a possível responsabilização civil da companhia pela atuação ligada à barragem da Vale.
O escritório Pogust Goodhead, que representa atingidos no processo, informou que as audiências de maio foram marcadas pelo Tribunal Distrital de Munique na ação contra a certificadora alemã. Segundo a banca, o caso representa uma etapa importante na busca por justiça para vítimas e municípios afetados.
Além da esfera cível, o caso também tem desdobramentos na Alemanha em discussões criminais. A Deutsche Welle, em reportagem publicada pelo UOL, apontou que uma ação contra a TÜV SÜD na Alemanha relacionada a Brumadinho corre risco de prescrição, o que aumentou a pressão de familiares e organizações que acompanham o caso.
Brumadinho entre revolta e esperança
A entrevista de Gabriel Parreiras à Folha de S.Paulo expressa dois sentimentos que marcaram a presença da comitiva de Brumadinho em Munique: revolta diante da postura da TÜV SÜD e esperança na condução da Justiça alemã.
Para o prefeito, o fato de o Judiciário alemão ouvir especialistas e tratar o caso com seriedade representa uma possibilidade de avanço em uma luta que já dura mais de sete anos.
A tragédia da Vale deixou 272 mortos e provocou impactos humanos, sociais, ambientais e econômicos em Brumadinho e na Bacia do Paraopeba. Para o município, a ação na Alemanha é uma das frentes internacionais de cobrança por justiça e reparação.
A fala de Gabriel reforça que, para Brumadinho, o caso não está encerrado. A presença na Alemanha busca manter viva a memória das vítimas e pressionar para que empresas envolvidas na cadeia de segurança da barragem sejam responsabilizadas, caso a Justiça reconheça essa responsabilidade.




