Operação na B3 movimentou cerca de R$ 8,4 bilhões; governo mantém 5% e golden share, enquanto municípios acompanham impactos em contratos, tarifas e investimentos
A privatização da Copasa foi oficializada nesta terça-feira, 16 de junho, na Bolsa de Valores, em São Paulo, consolidando uma das maiores mudanças recentes no setor de saneamento em Minas Gerais. Com a operação, o Grupo Equatorial passa a ser o principal acionista individual da companhia, com participação de 30% no capital da empresa.
A venda das ações que pertenciam ao Governo de Minas movimentou cerca de R$ 8,4 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 5,6 bilhões correspondem à fatia adquirida pela Equatorial. O Estado mineiro permanecerá com cerca de 5% das ações e manterá a chamada golden share, instrumento que garante poder de veto em decisões consideradas estratégicas.
Na prática, a Copasa deixa de ser controlada majoritariamente pelo poder público estadual e passa a ter um novo arranjo societário, com presença forte do setor privado. A mudança acende discussões em todo o estado sobre o futuro dos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, contratos municipais, tarifas e investimentos.
O governo estadual defende que a privatização dará mais capacidade de investimento à companhia e ajudará Minas a avançar nas metas de universalização do saneamento. O argumento central é que a empresa precisará ampliar a cobertura de coleta e tratamento de esgoto, especialmente em municípios que ainda convivem com deficiência histórica nessa área.

Do outro lado, críticos da privatização cobram garantias de que a mudança de controle não resulte em aumento de tarifas, piora no atendimento ou redução da influência pública sobre um serviço essencial. A preocupação é maior em cidades pequenas, onde a rentabilidade dos contratos pode ser menor e a dependência da Copasa é grande.
Outro ponto de atenção envolve os contratos entre a companhia e os municípios. Prefeituras mineiras deverão acompanhar de perto as novas condições de prestação dos serviços, metas de investimento, prazos de universalização e eventuais impactos financeiros para os consumidores.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Vale do Paraopeba, a mudança também deve ser acompanhada com atenção. O saneamento é tema sensível para a população, principalmente em cidades que cobram melhorias no abastecimento, expansão da rede de esgoto, qualidade do atendimento e maior transparência sobre obras e investimentos.
Apesar da conclusão da operação na Bolsa, a privatização ainda deve passar por etapas regulatórias e concorrenciais. A análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, é um dos pontos que permanecem no radar do mercado e do poder público.
A partir de agora, o principal desafio será transformar a mudança societária em melhoria concreta para a população. Mais do que o valor bilionário da operação, o que deve pesar para os mineiros é se a nova fase da Copasa vai garantir água, esgoto tratado, tarifa justa, atendimento eficiente e investimentos nos municípios que mais precisam.




