Operação contra finanças do Comando Vermelho tem alvos em BH, Contagem e Pequi

Nova fase da Operação Contenção mira suspeitos de integrar esquema financeiro ligado à facção, com movimentação investigada acima de R$ 453 milhões

Uma nova fase da Operação Contenção colocou Minas Gerais na rota de uma investigação nacional contra o núcleo financeiro do Comando Vermelho. A ação, deflagrada nesta sexta-feira, 29 de maio, mira suspeitos de integrar uma estrutura apontada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como responsável por movimentar mais de R$ 453 milhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

Em Minas, segundo informações publicadas por O Tempo, a operação teve alvos em Belo Horizonte, Contagem, na Região Metropolitana, e Pequi, no interior do estado. A ação também alcançou outros estados, em uma ofensiva que busca atingir a estrutura financeira atribuída à facção.

De acordo com o UOL, ao menos 20 pessoas suspeitas de participação no grupo foram presas durante a manhã. A nova fase da operação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Empresas de fachada e contas de passagem estão na mira

A investigação apura a existência de uma rede usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem suspeita. Segundo as informações divulgadas, os investigadores apontam o uso de empresas de reciclagem e ferro-velho como possível fachada para o esquema.

Também são investigados depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas, contas bancárias de passagem e transferências entre empresas ligadas ao grupo. A suspeita é que a estrutura tenha sido usada para dar aparência legal a recursos provenientes de atividades criminosas.

Minas no mapa da economia do crime

A presença de alvos em Belo Horizonte, Contagem e Pequi reforça a dimensão interestadual da investigação e mostra como operações contra facções passaram a mirar não apenas pontos de venda de drogas ou territórios dominados, mas também a chamada economia do crime.

Na prática, esse tipo de investigação tenta atingir a engrenagem financeira que, segundo as autoridades, sustenta a compra de drogas, armas, veículos, imóveis e a manutenção da estrutura criminosa. O foco, portanto, não está apenas na ponta da atividade criminosa, mas no dinheiro que permite que a organização continue operando.

Em dezembro de 2025, uma fase anterior da Operação Contenção já havia mirado um esquema de lavagem de dinheiro com bloqueio de cerca de R$ 600 milhões, em ação integrada com participação da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Até a última atualização desta matéria, as autoridades não haviam divulgado publicamente detalhes individualizados sobre os alvos em Minas. O espaço segue aberto para manifestação das defesas dos investigados.

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