PL se afasta de Simões e embaralha palanque da direita em Minas

Movimento do partido em direção ao Republicanos muda o cenário para 2026, pressiona o grupo de Mateus Simões e expõe disputa por espaço no campo conservador mineiro.

A disputa pelo Governo de Minas em 2026 ganhou um novo capítulo nos bastidores da direita. O Partido Liberal, que vinha sendo observado como possível aliado do governador Mateus Simões, do PSD, passou a sinalizar outro caminho: a construção de uma aliança com o Republicanos, partido do senador Cleitinho Azevedo.

A movimentação muda o equilíbrio do tabuleiro político mineiro porque afeta diretamente a tentativa de Simões de consolidar um palanque competitivo à direita, especialmente após a saída de Romeu Zema do Governo de Minas para se dedicar ao projeto nacional. Segundo o jornal Estado de Minas, o PL decidiu deixar em segundo plano, ao menos neste momento, a possibilidade de composição com Simões e concentrar esforços em uma aliança com o Republicanos.

O fator nacional pesa na decisão. O presidente do PL em Minas, deputado federal Domingos Sávio, afirmou que a dificuldade de apoiar Simões passa pelo cenário presidencial. O governador é aliado de Romeu Zema, do Novo, que trabalha seu próprio projeto nacional, enquanto o PL busca organizar palanques alinhados ao seu campo político para 2026.

Na prática, o afastamento do PL não significa, necessariamente, o enfraquecimento imediato de Simões, mas acende um alerta. Aliados do governador minimizaram o impacto e afirmaram que a decisão já era esperada, justamente pela lealdade de Simões ao projeto presidencial de Zema. Ainda assim, a leitura política é que o movimento amplia a pressão sobre o grupo governista para reorganizar sua base.

O ponto central é que a direita mineira ainda não aparece unificada. De um lado, Simões tenta herdar a estrutura política construída por Zema no Estado. De outro, Cleitinho aparece como nome com forte apelo popular e capacidade de diálogo com o eleitorado conservador. Essa disputa interna já vinha sendo apontada como um dos principais impasses do PL em Minas, especialmente pela necessidade de o partido definir um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país.

O movimento também coloca em evidência o papel de lideranças como Nikolas Ferreira, uma das figuras mais influentes da direita mineira. Nos últimos meses, ele esteve no centro das articulações envolvendo Simões, mas o reposicionamento do PL indica que a legenda pode priorizar uma composição mais próxima do Republicanos.

Para o eleitor, o efeito mais imediato é o aumento da indefinição. A direita, que em tese poderia chegar a 2026 com um campo mais organizado, entra em uma fase de disputa por protagonismo. A pergunta que passa a orientar os bastidores é simples: haverá unidade em torno de um nome ou Minas terá mais de um palanque conservador competitivo?

Essa resposta será decisiva não apenas para a eleição estadual, mas também para a disputa presidencial. Minas costuma ter peso estratégico nas eleições nacionais, e a montagem dos palanques no Estado pode influenciar diretamente o desempenho dos candidatos à Presidência.

Por enquanto, o afastamento entre PL e Simões não encerra o jogo, mas muda o ritmo da partida. O governador terá que demonstrar força política sem contar, ao menos neste momento, com uma composição considerada importante no campo conservador. Já o PL tenta se posicionar de forma mais alinhada ao seu projeto nacional, mesmo que isso aumente a fragmentação da direita em Minas.

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