Sete anos após tragédia da Vale, estudo vai analisar alimentos e pescado da Bacia do Paraopeba

Pesquisa apresentada a atingidos vai avaliar produção rural, alimentos e pescado na Bacia do Paraopeba, área marcada pelos impactos da tragédia da Vale

Um estudo técnico vai avaliar a produção agropecuária e o pescado na Bacia do Rio Paraopeba, em uma nova etapa das ações relacionadas à reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. A iniciativa foi apresentada a representantes das comunidades atingidas nesta terça-feira, 12 de maio, durante agenda pública realizada na sede do Ministério Público de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A informação também foi divulgada pelo Portal da Cidade Brumadinho e por órgãos ligados ao Acordo Judicial de Reparação.

A pesquisa terá como foco alimentos produzidos na região, produtos de origem animal, pescados, água, solo agrícola e sedimentos. O objetivo é verificar as condições da produção rural e da pesca na bacia, uma demanda considerada sensível para moradores, produtores e comunidades que convivem há mais de sete anos com os impactos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, o estudo está em fase de planejamento e deve levar 42 meses para ser concluído. A metodologia foi apresentada por pesquisadores e professores ligados ao Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção, da Coppe/UFRJ, e à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

A execução do trabalho ficará a cargo da Fundação COPPETEC/UFRJ, com acompanhamento dos compromitentes do Acordo Judicial de Reparação. O Governo de Minas informou que participou da apresentação por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Secretaria de Planejamento e Gestão. A Vale será responsável pelo financiamento do estudo, enquanto a auditoria independente será feita pela Aecom.

Durante a pesquisa, serão aplicados questionários e feitas coletas de amostras em diferentes pontos da Bacia do Paraopeba. A análise deverá observar elementos químicos associados aos rejeitos e às condições ambientais da região, com atenção para possíveis reflexos na cadeia produtiva rural e na atividade pesqueira.

A apresentação do estudo ocorre em um contexto de cobrança permanente por respostas sobre segurança alimentar, uso da água, impactos econômicos e futuro das atividades produtivas nos municípios atingidos. A Bacia do Paraopeba atravessa dezenas de municípios mineiros e teve áreas diretamente impactadas pela lama de rejeitos após o rompimento da barragem, em janeiro de 2019.

Para as comunidades, o resultado da pesquisa pode ajudar a esclarecer dúvidas sobre a produção agropecuária e o pescado, além de orientar futuras medidas de reparação. Ao mesmo tempo, o prazo previsto para conclusão mostra que as respostas técnicas ainda devem demorar, mantendo o tema no centro do debate público regional.

Mais do que uma etapa burocrática do acordo, o estudo toca em uma pergunta que segue sem resposta simples para muitas famílias atingidas: o que ainda pode ser produzido, consumido e comercializado com segurança ao longo da Bacia do Paraopeba?

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