O quarto dia de audiências da fase de instrução do processo criminal que investiga o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, foi marcado por relatos de sobreviventes sobre a fuga da lama
A sessão no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, na última sexta, 06, teve o depoimento do operador de máquinas William Isidoro de Jesus. Ele trabalhava no empilhamento de vagões no momento do rompimento e contou que havia retornado do refeitório quando começou a ouvir gritos pelo rádio e percebeu colegas correndo para escapar.
William relatou que a lama chegou até ele e atingiu a máquina que operava, fazendo o equipamento tombar. Ele também disse ter visto colegas soterrados e que ajudou a retirar um deles, que estava previsto para depor no mesmo dia, mas não compareceu. Segundo William, a sirene de emergência não foi ouvida e até mesmo áreas indicadas como locais seguros acabaram sendo atingidas pela lama.
Outro sobrevivente ouvido foi o motorista de caminhão-tanque Waldson Gomes da Silva, funcionário de uma empresa terceirizada. Ele contou que chegou à mina por volta das 11h30 e ouviu o rompimento pouco depois do meio-dia. Ao perceber a lama avançando rapidamente, Waldson tentou fugir dirigindo o caminhão, mas acabou subindo no tanque do veículo para tentar se proteger. Segundo ele, o caminhão foi atingido e arrastado por cerca de dez metros. “Se o caminhão não tivesse sido levado — se tivesse travado — ele ia tombar e jogar a gente na lama”, relatou. Ele afirmou que também não ouviu a sirene de emergência no momento do desastre.
A terceira testemunha prevista para depor na audiência, Leandro Borges Cândido, não compareceu por abalo emocional.
As audiências fazem parte da fase de instrução do processo criminal, etapa voltada à produção de provas e à oitiva de testemunhas e sobreviventes antes das próximas decisões judiciais.
Ao todo, estão previstas 76 sessões, que devem ocorrer até maio de 2027. Nesta segunda, novas testemunhas devem ser ouvidas.



