O processo criminal que apura responsabilidades pelo rompimento da Vale em Brumadinho teve continuidade na sexta-feira, 27 de fevereiro, em Belo Horizonte, com a oitiva de três testemunhas.
Entre as ouvidas esteve Nayara Porto, presidente da Avabrum (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão). Ela perdeu o marido, Everton, que trabalhava no almoxarifado da mina, e relatou que desde 2018 ele apresentava sinais de nervosismo e insatisfação com o trabalho, mencionando que a empresa não era um bom local para se trabalhar e demonstrando intenção de sair.
Juliana Cardoso também prestou depoimento. Ela perdeu o sogro, Levi, funcionário da limpeza da mina. De acordo com seu relato, ele comentava sobre conversas a respeito de possível vazamento na barragem. Juliana afirmou que trabalhadores terceirizados recebiam tratamento diferente dentro da empresa e reforçou que as sirenes não tocaram no dia da tragédia.
A terceira testemunha ouvida foi Josiana de Souza Resende, que perdeu a irmã e o cunhado, pais de gêmeos de 10 meses na ocasião do rompimento. Técnica de enfermagem do trabalho na própria Vale, ela informou que estava de folga no dia de um treinamento de segurança realizado em outubro de 2018 e que não foi chamada posteriormente para repeti-lo. Segundo ela, o treinamento ocorreu após comentários internos sobre possível vazamento.
O advogado Danilo Chammas, que representa a Avabrum, avaliou o andamento das audiências como um avanço e ressaltou a importância de que o processo siga seu curso regular. Sobre a atuação mais incisiva da defesa neste segundo dia, afirmou que faz parte do direito à ampla defesa e ao contraditório.
A etapa atual prevê a realização de 76 audiências para ouvir testemunhas indicadas tanto pela acusação quanto pelas defesas. Os depoimentos terão continuidade na próxima segunda-feira, 02 de março.




