Cientistas identificam 7 novas espécies de mamíferos na região de Brumadinho

Um estudo feito por cientistas de universidades mineiras e em parceria com o Instituto de Tecnologia Vale está conduzindo um programa de monitoramento da biodiversidade aquática e terrestre na região de Brumadinho e bacia do rio Paraopeba e já identificou 7 novas espécies de pequenos mamíferos não voadores.

A iniciativa visa orientar ações de conservação e entre os animais observados, estão roedores e marsupiais, que desempenham um papel crucial nos ecossistemas tropicais.

Conforme os cientistas, os espécimes estudados, que geralmente pesam menos de 1,5 kg, são fundamentais para a regeneração ambiental, pois atuam como dispersores de sementes.

No início do programa, eram conhecidas 15 espécies de pequenos mamíferos não voadores na região de Brumadinho. Após quatro anos de monitoramento, os estudos registraram, pela primeira vez na área, sete novas espécies.

Entre os animais descobertos, estão quatro marsupiais: cuíca-lanosa, cuíca-graciosa, cuíca-de-rabo-curto e cuíca-quatro-olhos. Elas foram identificadas respectivamente como Caluromys philander, Gracilinanus agilis, Monodelphis kunsi e Philander quica. Foram classificados também três roedores: Bibimys labiosus, Calomys tener e Cerradomys scotti.

Para Cristiane Cäsar, bióloga e especialista em biodiversidade da Vale, o registro de novas espécies em solo brasileiro representa um marco importante tanto para a ciência quanto para a restauração ambiental da região. “A ampliação do conhecimento científico por si só já é um grande resultado. Mas além disso, a presença dessas e outras espécies indicam que a fauna silvestre se mantém no entorno e irá naturalmente recolonizar as áreas em processo de recuperação.”

De acordo com os cientistas, as espécies identificadas mostram um padrão de grande adaptabilidade ecológica. Algumas, como a cuíca-lanosa e o rato-do-mato, desempenham uma importante função no reflorestamento, pois fazem a dispersão de sementes em áreas de Mata Atlântica. Outras, como Calomys tener, são mais comuns no Cerrado e em áreas abertas, indicando a diversidade de habitats presentes na região e a resiliência da fauna local diante das mudanças ambientais.

Agora, a equipe de cientistas visa continuar a monitorização da região para compreender melhor a recuperação da área degradada. Além disso, as espécies continuarão sendo observadas.

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